Mostrando postagens com marcador Pier Paolo Pasolini. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pier Paolo Pasolini. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de setembro de 2013

O Evangelho Segundo São Mateus (1964) - Direção: Pier Paolo Pasolini


Dirigido pelo italiano Pier Paolo Pasolini (Salò ou 120 Dias de Sodoma), a obra retrata fielmente a vida de Jesus Cristo segundo o Evangelho de São Mateus. Desde o seu nascimento, os milagres, suas pregações até sua morte e ressurreição.
Este filme me surpreendeu em vários aspectos. Primeiro porque para quem não conhece o diretor italiano Pasolini, atrevo-me a dizer que ele foi um gênio incompreendido não só na sua época como também nos dias atuais.
Pasolini era assumidamente homossexual, ateu e comunista. Todos os seus filmes são uma crítica à política italiana e à igreja católica que influenciava diretamente na política da época. Em Salò, sua última obra e talvez a mais criticada, Pasolini utilizou um conto do Marquês de Sade e transformou em uma grande denúncia não só contra o fascismo, mas contra todos os regimes ditatoriais. Infelizmente foi assassinado de forma brutal e a causa ainda é desconhecida, embora no filme Nerolio que retrata os últimos dias de vida do diretor, mostra que ele foi espancado até a morte por um garoto de programa, mas existe a hipótese de ter sido uma emboscada política.
Amado e odiado, Pasolini quando lançou O Evangelho Segundo São Mateus, muitos não entenderam já que ele era ateu. O que queria Pasolini com um filme que mostrava a vida de Jesus Cristo? Eu mesma fiquei surpresa. Se estamos falando de um diretor tão polêmico, esperava algo tão incompreendido quanto "A Última Tentação de Cristo" de Martin Scorsese.
No entanto, Pasolini fez uma obra belíssima, filmada em preto e branco com uma trilha sonora irretocável. O Jesus Cristo deste italiano não é como os dos americanos e europeus (representado sempre na figura de um homem loiro e com olhos azuis, como se no oriente-médio fosse fácil encontrar alguém com tais características). Pasolini escolheu um ator amador ( ele gostava de trabalhar com amadores), alto, moreno, com sobrancelhas grossas para fazer o papel de Jesus. Já saiu do estereótipo de vários filmes sobre a vida de Cristo que foram lançados nesta época.
Mas enfim, o que levou um ateu filmar a vida de Cristo? Modismo? Não. Depois de muito pensar, cheguei à conclusão que não foi por modismo e muito menos por fé, mas por política. Pasolini sendo comunista admirava a figura de Jesus Cristo que era um reacionário, lutava contra o sistema opressor, estava sempre à favor dos mais humildes e indefesos e não seria esta uma das premissas do comunismo?
Não estou querendo dizer com isto caro leitor que Jesus era comunista, mas talvez era para Pasolini, ou talvez Pasolini acreditava na existência de Cristo e admirava o trabalho e a coragem que ele teve, ironicamente morrendo por questões políticas.
Filmado em algumas terras áridas da Itália a fotografia é bela, olhares que expressam dor, alegria, a música que toca a alma. Pasolini conseguiu transformar a vida de Cristo em poesia. É uma obra imperdível de um dos maiores cineastas de todos os tempos e que ainda conta com a participação de sua mãe, Sussana Pasolini no personagem de Maria já com idade mais avançada.

Postado por Lidiana às 8/31/2013 04:53:00 PM 

http://lidianacinema.blogspot.com.br/2013/08/o-evangelho-segundo-sao-mateus-o.html

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Saló - Os 120 dias de Sodoma (1975) - Direção: Pier Paolo Pasolini


Mais uma obra dirigida por Pier Paolo Pasolini em 1975, baseada no livro de Marquês de Sade "Os 120 Dias de Sodoma".
Quatro fascistas sequestram um grupo de jovens composto por homens e mulheres servindo como escravos sexuais, e sendo obrigados a praticarem os mais diferentes tipos de orgias.
Este foi o último filme de Pasolini e talvez o mais incompreendido. Alguns até o julgam como pornográfico, no entanto, mesmo sendo ainda leiga no que diz respeito sobre a obra desse gênio, atrevo-me a dizer que sua vida, seus ideais estavam intimamente ligados à sua filmografia. Já disse que todos os filmes de Pasolini eram de cunho politico, eram uma crítica escancarada à política italiana e a igreja. Pier Paolo Pasolini era homossexual, ateu e comunista.
Se você tem interesse em assistir Saló, sugiro que desfaça-se de suas crenças sejam elas religiosas ou  por qualquer outro motivo e tente assisti-lo sobre o ponto de vista político. Porque muito mais que "um festival de orgias" como dizem por aí, o filme é um grito político contra o fascismo e contra todos os regimes ditatoriais.
Os 16 jovens presos em um castelo por seus algozes, viviam sempre nus, e tendo que aceitar as duras regras impostas por seus ditadores. Há cenas de estupro, cenas escatológicas, sadismo, tortura, coisas que imagino que um prisioneiro de guerra, ou prisioneiro preso na época da ditadura tenha visto de perto.
E você pode perguntar, por que usar "cenas apelativas" para fazer um filme político? Além de Pasolini ser à favor da nudez, quando você assiste o filme livre de preconceitos, você percebe que o ser humano tem seu lado sádico, caso contrário o filme não estaria na lista dos filmes mais polêmicos da história, não?
Como já disse, Pasolini gostava de trabalhar com atores amadores. As cenas apesar causarem certo desconforto até hoje, foram muito bem dirigidas e construídas, mesmo sendo forte, acredito que Saló seja absolutamente necessário para qualquer cinéfilo. Continuo batendo na tecla de que existem filmes com violência explícita absolutamente descartáveis e que não sei porque cargas d'água são tão cultuados, e existem aqueles em que a violência é necessária para uma reflexão sobre a sociedade e sobre nós mesmos, afinal, Saló não se resume a um "festival de orgias." Se você espera isso de uma obra-prima como esta, sugiro que não assista.